A ISA no 17.º Congresso Internacional de Dietética

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Destaques do simpósio/mesa-redonda da ISA“Doce sem calorias: como os adoçantes de baixas calorias podem ser uma ferramenta útil na prática dietética?”

A Associação Internacional de Adoçantes (ISA) está muito satisfeita por ter apoiado o 17.º Congresso Internacional de Dietética (CID 2016), organizando o simpósio/mesa redonda “Doce sem calorias: como os adoçantes de baixas calorias podem ser uma ferramenta útil na prática dietética?” e uma banca de informação ao longo de todo o Congresso.

Presidido pela Dr.ª Aimilia Papakonstantinou, conferencista em Nutrição e Metabolismo na Universidade Agrícola de Atenas, esta sessão apoiada pela ISA sobre adoçantes de baixas calorias, contou com especialistas de renome nas áreas de regulação do apetite, ingestão de alimentos, obesidade e dietética. Os oradores do painel apresentaram informações científicas úteis e os últimos resultados da pesquisa em relação ao papel e benefícios dos adoçantes de baixas calorias, proporcionando ao público a oportunidade de abordar questões e preocupações sobre os adoçantes de baixas calorias, incluindo a sua utilização e segurança.

Mais detalhadamente, o Prof. Kees de Graaf, Presidente da Divisão de Nutrição Humana, Professor de Ciência Sensorial e Comportamento Alimentar na Universidade de Wageningen, na Holanda, falou sobre o papel do doce na dieta ao longo dos séculos, desde o período neolítico até hoje e apresentou dados que mostram que, do século XV até ao século XVIII, houve um aumento nas plantações de cana-de-açúcar, o que levou a um aumento na produção e consumo de açúcar, principalmente como adoçante no café e no chá, enquanto que desde o século XVIII, a revolução industrial levou a um aumento adicional da disponibilidade de açúcar, e particularmente durante o século XXI.

Adicionalmente, ao analisar a literatura científica em torno da nossa preferência em relação ao doce, o Prof. de Graaf referiu-se à preferência inata dos seres humanos pelo doce, que é maior nas crianças e diminui na idade adulta e, curiosamente, confirmou que, com base na ciência, não há relação entre sensibilidade ou gosto pelo doce e peso corporal.

Quanto aos adoçantes de baixas calorias, o Prof. de Graaf apresentou dados de publicações recentes e o seu trabalho científico mostrando que os adoçantes de baixas calorias não aumentam o apetite e não têm um impacto diferente no valor da recompensa, em comparação com o açúcar, portanto, eles não conduzem a compensação de energia ou aumento da ingestão de energia.

Os efeitos dos adoçantes de baixas calorias no apetite e na regulação do peso corporal foi o tema abordado pela Prof.ª Anne Raben, Professora do Departamento de Nutrição, Exercício e Desporto, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca. A Prof.ª Raben analisou as provas científicas das últimas três décadas sobre o efeito dos adoçantes de baixo teor calórico na regulação do apetite e do peso corporal e explicou porque os dados não confirmam a hipótese sugerida nos anos 80 de que os adoçantes de baixas calorias aumentam o nosso apetite pelo sabor doce. Especificamente, apresentou fundamentação que sustentam que o uso de adoçantes de baixas calorias em vez de açúcar, em crianças e adultos, leva à redução da ingestão de energia e do peso corporal.

Adicionalmente, a Prof.ª Raben observou que, embora não exista uma única hierarquia de evidências universalmente aceite, há um amplo consenso sobre a força relativa dos principais tipos de pesquisa, com os ensaios clínicos aleatórios acima dos estudos observacionais, e revisões sistemáticas e meta-análises colocadas acima dos ensaios clínicos aleatórios. Portanto, a importância de uma revisão sistemática meta-análise recentemente publicada no International Journal of Obesity5, que provou que os adoçantes de baixas calorias contribuem para a redução de calorias, ajudando na perda e manutenção de peso, foi destacada por todos os palestrantes do painel.

O Dr. Caomhan Logue, Palestrante de Dietética no Centro de Alimentação e Saúde da Irlanda do Norte (NICHE), Faculdade de Ciências Biomédicas da Universidade de Ulster na Irlanda do Norte, concluiu o Simpósio, abordando o tema do papel dos adoçantes de baixas calorias na epidemia da obesidade e da diabetes, numa perspetiva de saúde pública. A prevalência da obesidade quase duplicou desde 1980, constituindo um desafio emergente para a saúde pública, pelo que foram sugeridas várias estratégias de saúde pública para melhorar os hábitos alimentares e de vida das pessoas.

Especificamente considerando a necessidade de limitar o nosso consumo geral de açúcar, a reformulação de alimentos e a utilização de adoçantes de baixas calorias tem sido sugerida como uma ferramenta potencialmente útil na adesão a esta recomendação. Depois de apresentar as evidências científicas existentes sobre os adoçantes de baixas calorias e os seus benefícios, o Dr. Logue concluiu que, entre outras estratégias de saúde pública, os adoçantes de baixas calorias parecem estar bem posicionados para desempenhar um papel positivo na luta contra as epidemias da obesidade e da diabetes, ajudando a reduzir o consumo de açúcar e mantendo a palatabilidade da dieta. Também destacou que a sua segurança foi confirmada por órgãos reguladores em todo o mundo, incluindo a Organização Conjunta de Alimentos e Agricultura (FAO); o Comité de Peritos sobre Aditivos Alimentares da Organização Mundial de Saúde (OMS) (JECFA); a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA); E a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

Nas conclusões finais sobre a sessão, a Dr.ª Papakonstantinou resumiu as evidências apresentadas pelos palestrantes e confirmou que os adoçantes de baixas calorias podem desempenhar um papel positivo no esforço das pessoas para reduzir o consumo de açúcar e energia, e para os ajudar a gerir o peso corporal e/ou a diabetes de forma mais eficaz. Finalmente, destacou que os nutricionistas têm um papel importante a desempenhar na educação das pessoas para uma dieta saudável e sustentável.

Pode encontrar mais informações sobre as biografias e apresentações dos oradoresacedendo aquie ler o Comunicado de Imprensa da ISA sobre a sessão “Doce sem calorias: como os adoçantes de baixas calorias podem ser uma ferramenta útil na prática dietética? “acedendo aqui.

  1. Cordain et al, Am J Clin Nutr 2005
  2. De Graaf et al, Phyiol Behav 1999
  3. Griffioen-Roose et al, Plos One 2013
  4. Peters et al, Obesity 2016; Sørensen et al, AJCN 2014; De Reyter et al, NEJM 2012; Raben et al, AJCN 2002
  5. Rogers et al, Int J Obes 2016
  6. World Health Organisation (WHO), 2015; Organisation for Economic Co-operation and Development, 2014
  7. WHO, 2014; SACN, 2015; USDA, 2016
  8. Academy of Nutrition and Dietetics, 2012; Miller & Perez, AJCN 2014