O que as pesquisas recentes revelam sobre os efeitos na saúde e os benefícios dos adoçantes sem ou de baixas calorias
Highlights
- Manutenção da perda de peso: uma publicação histórica de um ensaio clínico de 2025 mostra que a incorporação de adoçantes sem ou de baixas calorias em uma alimentação saudável e com baixo teor de açúcares pode ajudar pessoas com sobrepeso ou obesidade a manter o peso perdido durante mais de um ano.
- Adoçantes sem ou de baixas calorias e diabetes: As recentes declarações de posicionamento de importantes organizações globais de diabetes e nutrição reafirmam que os adoçantes sem ou de baixas calorias podem ajudar pessoas que vivem com diabetes a reduzir a ingestão de açúcares e calorias.
- As preferências pelo sabor doce em adultos são notavelmente estáveis: um ensaio de intervenção de seis meses, com exposição baixa, habitual ou elevada a alimentos de sabor doce, não alterou nem o quanto as pessoas gostavam da doçura nem a intensidade com que a percebiam.
Em 2025, vários estudos de alta qualidade, revisões sistemáticas e ensaios de intervenção em larga escala acrescentaram novas e importantes evidências à ciência dos adoçantes sem ou de baixas calorias. Esses estudos exploraram o papel dos adoçantes em contextos alimentares reais, incluindo seu impacto na redução de açúcares livres, na regulação do peso corporal, na saúde cardiovascular e bucal, na gestão da diabetes, na microbiota intestinal e na percepção do sabor doce. Este artigo reúne os principais achados das publicações científicas de 2025 e oferece uma síntese atualizada das evidências disponíveis sobre os adoçantes sem ou de baixas calorias.
Gestão do peso a longo prazo
Un amplo ensaio de intervenção europeu com a duração de um ano, que fez parte do projeto SWEET financiado pela UE,
constatou que a incorporação de adoçantes sem ou de baixas calorias em uma alimentação saudável e com baixo teor de açúcares ajudou indivíduos com sobrepeso ou obesidade a manter a perda de peso ao longo de um ano¹. O estudo também relatou mudanças benéficas na microbiota intestinal sem sinais de disbiose, sugerindo potenciais vantagens metabólicas dos adoçantes sem ou de baixas calorias na manutenção do peso a longo prazo.
esclarece que os adoçantes sem ou de baixas calorias não devem ser considerados medicamentos para perda de peso; os seus benefícios no controle do peso estão relacionados à redução de calorias provenientes de açúcares adicionados quando utilizados em substituição a produtos com açúcar². Numerosos estudos de intervenção mostram de forma consistente uma perda de peso média modesta, porém significativa (cerca de 1-2 kg), em pessoas que utilizam adoçantes sem ou de baixas calorias no lugar do açúcar, especialmente quando substituem bebidas adoçadas com açúcar. Os adoçantes sem ou de baixas calorias também podem melhorar a adesão à dieta e a saciedade sensorial específica, apoiando a manutenção do peso a longo prazo².
Exposição ao sabor doce e preferência pela doçura
Contrariando suposições comuns, o estudo Sweet Tooth,
um grande ensaio clínico randomizado de seis meses, constatou que as preferências dos adultos pela doçura e pela intensidade do sabor doce não mudaram, independentemente de suas dietas apresentarem exposição baixa, habitual ou elevada ao sabor doce³. Esse achado desafia recomendações atuais de saúde pública que propõem reduzir a exposição à doçura para diminuir a preferência pelo sabor doce e, em última instância, prevenir o ganho de peso.
Redução da ingestão de açúcares livres
Um ensaio clínico randomizado no Reino Unido mostrou que fornecer aos adultos orientações alimentares voltadas à redução de açúcares livres, incluindo o uso de adoçantes sem ou de baixas calorias, levou a reduções mensuráveis na ingestão de açúcares (de cerca de 10% para aproximadamente 7% da energia total), a uma perda de peso modesta e a uma melhora geral da qualidade da dieta ao longo de 12 semanas⁴. Os pesquisadores observaram que os adoçantes sem ou de baixas calorias podem proporcionar doçura sem açúcares e calorias e, assim, ajudar a manter dietas palatáveis durante os esforços de redução de açúcares.
As associações profissionais apoiam o uso de adoçantes sem ou de baixas calorias no diabetes
As principais organizações de diabetes e nutrição do Reino Unido⁵, Brasil⁶, Estados Unidos⁷ e outros países afirmam que os adoçantes sem ou de baixas calorias aprovados são seguros quando consumidos dentro dos limites estabelecidos da Ingestão Diária Aceitável (IDA). Os adoçantes sem ou de baixas calorias podem apoiar a redução de açúcares e da ingestão energética e, por sua vez, ajudar no controle do peso e do diabetes, especialmente em consumidores habituais de produtos adoçados com açúcar. A posição conjunta da British Dietetic Association, da British Nutrition Foundation e da Diabetes UK sublinha que os adoçantes sem ou de baixas calorias devem ser utilizados como parte de uma alimentação globalmente equilibrada e não como uma solução isolada⁵.
Uma série de meta-análises de ensaios clínicos reforça essas posições ao mostrar que os adoçantes sem ou de baixas calorias têm efeito neutro sobre os principais marcadores de risco cardiometabólico, incluindo lipídios sanguíneos, controle glicêmico e pressão arterial⁸⁻¹⁰. Quando utilizados em lugar do açúcar, especialmente em bebidas, podem reduzir modestamente o peso corporal, a gordura hepática e os picos de glicose pós-prandiais, apoiando indiretamente a saúde cardiovascular como parte de melhorias dietéticas mais amplas¹¹.
Mais recentemente, um ensaio clínico randomizado de 24 semanas realizado com 181 adultos com diabetes tipo 2 descobriu que substituir bebidas adoçadas com adoçantes sem ou de baixas calorias por água não melhorou as medidas relacionados ao controle glicêmico, conforme inicialmente hipotetizado¹². De fato, o grupo que continuou consumindo bebidas adoçadas com adoçantes sem ou de baixas calorias apresentou valores ligeiramente melhores de HbA1c (um marcador do controle do diabetes) e pequenas vantagens em termos de peso em comparação com aqueles que trocaram por água.
Adoçantes sem ou de baixas calorias e saúde bucal
O aspartame e outros adoçantes sem ou de baixas calorias são não cariogénicos, ou seja, não promovem cáries dentárias como o açúcar. Uma revisão sistemática e uma meta-análise confirmaram que, ao contrário dos açúcares, o aspartame não reduz significativamente o pH oral nem alimenta bactérias cariogénicas; assim, seus benefícios para a saúde bucal decorrem principalmente da substituição dos açúcares¹³. Leia mais nesta entrevista com o Dr. Stephen Fleming, um dos autores do estudo.
Consumo de adoçantes sem ou de baixas calorias na América Latina
Diante das preocupações de que políticas de saúde pública que visam a redução do consumo excessivo de açúcar possam ter aumentado o uso de adoçantes sem ou de baixas calorias, os dados dos países da América Latina apresentados no 1º Fórum Científico Latino-Americano sobre adoçantes sem ou de baixas calorias indicam que seu consumo permanece consistentemente abaixo dos limites de segurança estabelecidos em todos os grupos populacionais. Ao mesmo tempo, os dados regionais mostram uma ingestão persistentemente elevada de açúcares, acima das recomendações da OMS. Dados mais recentes do México indicam que, embora a maioria dos adultos mexicanos relate consumir produtos que contêm adoçantes, a exposição total aos adoçantes sem ou de baixas calorias é baixa¹⁴. De forma semelhante, um estudo publicado recentemente mostrou que crianças de 1 a 3 anos no Brasil não ultrapassam a Ingestão Diária Aceitável (IDA) dos adoçantes mais comuns, mesmo nos cenários mais conservadores¹⁵.
A gravação do 1º Fórum Científico LATAM sobre adoçantes sem ou de baixas calorias, organizado pela Fundação Ibero-Americana de Nutrição (FINUT) e pela Universidade Marista de Mérida, com o apoio da Associação Internacional de Adoçantes (ISA) e do Yucatán Convention Bureau, está disponível em espanhol e inglês.