Autor(es): Serra-Majem L, Raposo A, Aranceta-Bartrina J, Varela-Moreiras G, Logue G, Laviada H, Socolovsky S, Pérez-Rodrigo C, Aldrete-Velasco JA, et al. | Ano de Publicação: 2018
Peritos científicos internacionais em alimentação, nutrição, dietética, endocrinologia, atividade física, pediatria, enfermagem, toxicologia e saúde pública reuniram-se em Lisboa, entre 2 e 4 de Julho de 2017, para desenvolver um consenso sobre a utilização de adoçantes sem ou de baixas calorias (LNCS) como substitutos dos açúcares e de outros adoçantes calóricos. Os adoçantes sem ou de baixas calorias são aditivos alimentares que são amplamente utilizados como substitutos do açúcar para adoçar alimentos e bebidas com a adição de poucas ou até mesmo de nenhumas calorias. Estes são também utilizados em medicamentos, produtos de saúde, como pasta de dentes e suplementos alimentares. O objetivo deste Consenso foi servir de ponto de referência útil, fundamentado em evidências científicas, para auxiliar nos esforços para a redução do consumo de açúcares livres de acordo com as recomendações atuais de saúde pública internacional. Os especialistas que participaram no Consenso de Lisboa analisaram e avaliaram as evidências em relação ao papel dos LNCS na segurança alimentar, a sua regulamentação e os aspetos nutricionais e dietéticos do seu uso em alimentos e bebidas. As conclusões deste Consenso foram: (1) Os adoçantes sem ou de baixas calorias são alguns dos constituintes alimentares mais extensivamente avaliados, e a sua segurança foi revista e confirmada por organismos reguladores internacionais incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA); (2) A educação do consumidor, que é baseada nas evidências científicas mais robustas e nos processos regulatórios, sobre a utilização de produtos que contêm adoçantes sem ou de baixas calorias, deve ser reforçada de forma compreensiva e objetiva; (3) A utilização de adoçantes sem ou de baixas calorias em programas de redução de peso que envolvem a substituição de adoçantes calóricos por LNCS no contexto de planos de dieta estruturados pode favorecer a redução de peso de uma forma sustentável. Além disso, a sua utilização em programas de controlo da diabetes pode contribuir para um melhor controlo glicémico em pacientes, embora com resultados modestos. Os adoçantes sem ou de baixas calorias também oferecem benefícios para a saúde oral quando utilizados no lugar de açúcares livres; (4) Propõe-se que alimentos e bebidas com adoçantes sem ou de baixas calorias possam ser incluídos nas orientações dietéticas como opções alternativas para produtos adoçados com açúcares livres; (5) A educação e formação contínua dos profissionais de saúde é necessária, uma vez que eles são a principal fonte de informação sobre as questões relacionadas com a alimentação e saúde para a população em geral e para os seus pacientes. Com isto em mente, a publicação de declarações de posição e de documentos de consenso na literatura académica é extremamente desejável.
Os alimentos e bebidas com adoçantes de baixas calorias podem ser incluídos nas orientações dietéticas como alternativas ao açúcar e produtos açucarados, pois os adoçantes de baixas calorias são ingredientes seguros que fornecem sabor doce com baixas ou sem calorias e sem efeitos glicémicos e, portanto, com benefícios potenciais para o controlo de peso e controlo glicémico na diabetes. Estas são algumas das principais conclusões de um painel internacional com mais de 60 especialistas científicos que se reuniram num evento científico que decorreu em Lisboa de 2 a 4 de julho de 2017 que foi organizado pela Fundação para a Investigação Nutricional (FIN) em colaboração com a Universidade Lusófona de Lisboa, e que contou com o apoio de 43 organizações e fundações especializadas em nutrição e dietética, sociedades médicas, universidades e centros de investigação da Europa e da América Latina.
Os peritos científicos do Consenso de Lisboa discutiram e avaliaram as evidências relativas à segurança e regulamentação dos adoçantes de baixas calorias, o seu papel na redução do açúcar, controlo de peso, controlo da glicose e saúde oral, bem como outros aspetos nutricionais da sua utilização nos alimentos e bebidas, tendo chegado às seguintes conclusões:
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