Os adoçantes de baixas calorias são seguros e podem trazer benefícios na gestão do peso e controlo da glicose no sangue


Posted: 27 setembro 2018

Notícias científicas do Congresso FELANPE 2018


Destaques:

  • A segurança dos adoçantes de baixas calorias foi minuciosamente estudada e consistentemente confirmada por inúmeras autoridades reguladoras de segurança alimentar a nível nacional e internacional
  • O uso de adoçantes de baixas calorias em vez do açúcar e como parte de um programa gestão e controlo de peso pode favorecer a perda de peso e a sua manutenção.
  • Pessoas com diabetes podem utilizar os adoçantes de baixas calorias como parte de uma alimentação saudável, sem efeitos adversos no controlo da glicose no sangue. Na realidade, os adoçantes de baixas calorias não têm impacto no controlo glicémico, na secreção de insulina ou na sensibilidade à insulina nos humanos.

Numa altura em que as pessoas procuram novas estratégias alimentares eficazes para ajudá-las a reduzir a ingestão de açúcar, de acordo com a recente recomendação nutricional de limitar o consumo de açúcares livres na alimentação, há um interesse crescente no uso de adoçantes de baixas calorias e nos efeitos que estes têm sobre a saúde. Com o objetivo de abordar este grande interesse nos adoçantes de baixas calorias entre profissionais de saúde, a Associação Internacional de Adoçantes (ISA) organizou um simpósio científico no âmbito do Congresso FELANPE 2018 ao convidar especialistas de renome desta área para abordarem a segurança e o papel dos adoçantes de baixas calorias na gestão do peso e controlo da glicose no sangue.

O FELANPE - XVI Congresso Latino-Americano de Terapia Nutricional, Nutrição Clínica e Metabolismo, que decorreu na cidade de Guadalajara, no México, entre 22 e 25 de setembro de 2018, é um dos mais importantes eventos científicos sobre nutrição clínica na América Latina que reúne uma ampla comunidade de profissionais de saúde de toda a América Latina e académicos de diferentes continentes e com diferentes conhecimentos. Nesta ocasião, o Dr. Hugo Laviada Molina, Marist University of Merida, Mexico, a Dr.ª Susana Socolovsky, Presidente da Associação Argentina dos Profissionais de Tecnologia e Segurança Alimentar, Argentina, e a Dr.ª Pilar Riobó Serván, Universidad Autónoma de Madrid, Espanha, apresentaram as mais recentes provas sobre adoçantes de baixas calorias num simpósio ISA intitulado: “Adoçantes de baixas calorias: segurança, utilização e benefícios para a alimentação”.

Como é que os consumidores podem ter a certeza sobre a segurança dos adoçantes de baixas calorias?

Numa palestra sobre a segurança e regulamentação dos adoçantes de baixas calorias, a Dr.ª Susana Socolovsky, Presidente da Associação Argentina dos Profissionais de Tecnologia e Segurança Alimentar, descreveu o completo, rigoroso e longo processo de avaliação científica de risco que é conduzida pelos órgãos competentes antes dos adoçantes de baixas calorias serem aprovados para o uso nos alimentos e bebidas. Para decidir sobre a segurança de um aditivo alimentar, como os adoçantes de baixas calorias, as autoridades procedem a uma revisão completa e avaliam os dados sobre a química, cinética e o metabolismo da substância, os usos propostos e a avaliação da exposição, bem como extensos estudos toxicológicos. A Dr.ª Socolovsky concluiu que os adoçantes de baixas calorias estão entre os ingredientes mais estudados em todo o mundo e, com base em fortes evidências, as autoridades reguladoras de segurança alimentar a nível internacional confirmam de forma consistente a sua segurança .

A nível internacional, o Comité Misto de Peritos em matéria de Aditivos Alimentares (JECFA) da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) é responsável pela avaliação da segurança de todos os aditivos alimentares, incluindo os adoçantes de baixas calorias. O JECFA serve como um comité científico independente que realiza avaliações de segurança e presta assessoria ao Codex Alimentarius, um órgão da FAO-OMS, e aos países membros dessas organizações. Os países dependem de órgãos governamentais nacionais ou internacionais e de comités científicos especializados, como o JECFA, para avaliar a segurança dos aditivos alimentares, incluindo os adoçantes de baixas calorias, ou possuem órgãos reguladores próprios para a avaliação da segurança alimentar. Por exemplo, muitos países da América Latina aprovam o uso de adoçantes de baixas calorias com base na avaliação de segurança do JECFA e nas disposições do Codex Alimentarius.

Razões para optar por adoçantes de baixas calorias em vez de açúcar

Ao apresentar as mais recentes provas sobre temas em destaque em torno dos benefícios dos adoçantes de baixas calorias, o Dr. Hugo Laviada-Molina, Marist University of Merida, Mexico, e a Dr.ª Pilar Riobó Serván, Universidad Autónoma de Madrid, Espanha, concluíram que os adoçantes de baixas calorias podem ser uma ferramenta alimentar útil na gestão do peso e no controlo da glicose no sangue, quando usados no lugar do açúcar e no âmbito de um regime alimentar equilibrado e de um estilo de vida saudável. O Dr. Laviada-Molina apresentou os dados de revisões sistemáticas publicados de estudos observacionais e clínicos e salientou que os resultados de ensaios clínicos controlados e aleatorizados (RCT), e o “padrão de excelência” para avaliar as relações de causa e efeito, demonstram que a utilização de adoçantes de baixas calorias no lugar do açúcar pode ajudar a alcançar uma diminuição na ingestão total de energia e, assim, pode facilitar a perda de peso em dietas ou ajudar a manter o peso perdido após uma dieta. Os benefícios em termos de perda de peso são modestos, embora significativos. Notavelmente, não há ensaio aleatório controlado que demonstre que o uso de adoçantes de baixas calorias quando utilizados em vez do açúcar pode levar ao ganho de peso, ao contrário do que alguns estudos observacionais sugeriram. Todos estes aspetos, os resultados de estudos observacionais sobre adoçantes de baixas calorias e o risco de obesidade são inconsistentes. Mas tão importante é o facto que os estudos observacionais são difíceis de interpretar, pois as associações podem ser causadas por fatores de confusão ou causalidade inversa.

Ao falar sobre o papel dos adoçantes de baixas calorias no controlo da glicose no sangue e no controlo da diabetes, a Dr.ª Pilar Riobó Serván, Universidad Autónoma de Madrid, Espanha, concluiu que a utilização de adoçantes de baixas calorias em vez dos açúcares pode ser útil para as pessoas com diabetes para melhorar a adesão à sua dieta, pois os adoçantes de baixas calorias podem ajudá-las a satisfazer os seus desejos de sabor doce sem contribuir para incrementar os níveis de glicose no sangue ou aumentar as necessidades de insulina. Em linha com as fortes evidências científicas, várias organizações de saúde em todo o mundo, incluindo a American Diabetes Association, a Associação Diabetes UK e a Federação Mexicana de Diabetes, publicaram orientações para a gestão nutricional da diabetes, em que apoiam o uso de adoçantes de baixas calorias em vez de açúcares e de alimentos ou bebidas açucaradas.

Mensagem final

Os adoçantes de baixas calorias são ingredientes alimentares seguros que são usados em quantidades muito pequenas para substituir o açúcar em alimentos e bebidas, mantendo o sabor doce com menos ou sem calorias. Embora não deva haver nenhuma expectativa de que os adoçantes de baixas calorias, por si só, magicamente causariam perda de peso ou possam diminuir os níveis de glicose no sangue, eles certamente podem ser uma estratégia alimentar útil para reduzir a ingestão total de calorias e açúcares e, assim, ajudar na gestão de peso e controlo glicémico em pessoas com diabetes.

Referências

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