A sucralose não coloca preocupações de segurança aos consumidores


Posted: 08 maio 2017

O que precisa de saber em relação à opinião da EFSA sobre o estudo da sucralose do Instituto Ramazzini

Não surpreende que a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) rejeite as descobertas de um outro estudo questionável realizado pelo Instituto Ramazzini e, tal como seria de esperar, reafirme a segurança da sucralose. Num parecer científico1 publicado a 8 de maio, após a avaliação da validade das conclusões do estudo sobre a sucralose feito com ratinhos por Soffritti et al.2, a EFSA conclui que "os dados disponíveis não apoiam as conclusões dos autores (Soffritti et al., 2016)".

A opinião científica do Painel dos Aditivos Alimentares e Fontes de Nutrientes Adicionados a Géneros Alimentícios (ANS) da EFSA é totalmente consistente com o consenso científico global e com o consenso regulatório de que a sucralose é segura. No seguimento de avaliações de risco rigorosas, a sucralose foi aprovada e autorizada a sua utilização por autoridades regulatórias importantes de todo o mundo, incluindo, entre outras, o Comité Misto FAO/OMS de peritos no domínio dos aditivos alimentares (JECFA), a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos e o Comité Científico de Alimentação Humana da Comissão Europeia (agora denominada EFSA).

As conclusões do estudo de Soffritti et al. não são apoiados pelo banco de dados abrangente sobre segurança da sucralose

O uso de estudos com um desenho não convencional, que por sua vez dão origem a resultados inconclusivos e pouco viáveis, e as conclusões do estudo com falhas são apenas alguns dos problemas graves identificados pela EFSA na avaliação feita ao estudo de Soffritti et al.

Os peritos da EFSA criticam as deficiências significativas na metodologia utilizada pelo Instituto Ramazzini na publicação de Soffritti et al. e salientam que:

  • não houve uma relação dose-resposta entre a exposição à sucralose e os alegados “efeitos” reportados pelo estudo;
  • não há um modo de ação conhecido através do qual a sucralose pode causar efeitos carcinogénicos e o estudo não é capaz de atingir os critérios standard (Bradford-Hill) para uma relação de causa-efeito entre a ingestão de sucralose e o desenvolvimento de tumores;
  • o desenho do estudo inclui um tratamento que ia até à morte natural dos animais, ou seja, eram administradas dose aos ratos até à morte destes, o que compromete uma interpretação fiável dos dados, uma vez que a incidência dos tumores aumenta com a idade;
  • Uma base de dados abrangente está disponível e não revela nenhum efeito carcinogénico da sucralose, relatado em estudos realizados com ratos e ratazanas.

É com esta base que o Painel ANS da EFSA concluiu que os dados disponíveis não suportavam a conclusão dos autores (Soffritti et al., 2016) de que a sucralose induz neoplasias hematopoiéticas em ratinhos macho suíços, ao contrário do que afirma a publicação de Soffritti et al., com um corpo de evidência a mostrar que a sucralose é segura e não provoca cancro.

O Painel ANS da EFSA também observou o longo atraso na publicação do estudo (janeiro de 2016), tendo em conta que este foi iniciado há mais de dez anos, tendo as suas conclusões já sido divulgadas no decorrer de uma conferência científica em abril de 2012.

Esta não é a primeira vez que as autoridades de segurança alimentar descartam descobertas e são altamente críticas ao desenho de estudos e à interpretação de dados feito pelo Instituto Ramazzini. Tanto a EFSA como a Food and Drud Administration (FDA), dos Estados Unidos, têm rejeitado as suas investigações técnicas e chamado a atenção para uma série de falhas significativas e lacunas no desenho, conduta, comunicação e interpretação do trabalho do Dr. Soffritti em avaliações prévias3, 4, 5.

Mensagens importantes a reter

  • A EFSA conclui que "os dados disponíveis não apoiam as conclusões dos autores (Soffritti et al., 2016)". A opinião da EFSA é consistente com o consenso científico e regulatório global de que a sucralose é segura.
  • O Instituto Ramazzini tem um historial de realizar estudos pouco fiáveis, que usam técnicas de investigação pouco convencionais a fim de tirar conclusões erradas.
  • A sucralose é segura e não há nenhuma indicação de nenhum potencial carcinogénio.
  • A sucralose está entre os ingredientes mais profundamente testados do mundo, com mais de 110 estudos a confirmar a sua segurança ao longo de um período de mais de 20 anos.
  • A segurança da sucralose foi demonstrada recentemente numa revisão compreensiva sistemática feita por Berry et al.6, publicada na Nutrition and Cancer em 2016.

Com as taxas de obesidade a atingirem proporções epidémicas na Europa e em todo o mundo, o uso de todos os adoçantes de baixas calorias seguros e aprovados nos alimentos, bebidas e nos adoçantes de mesa pode ser de grande importância nos esforços para limitar o consumo de açúcar. Os adoçantes de baixas calorias podem proporcionar uma variedade de produtos de sabor doce com menos ou nenhumas calorias, ajudando-nos na redução do consumo calórico global e, desta forma, na perda de peso, quando usados em vez do açúcar e como parte de uma dieta de controlo do peso. Oferecem também uma forma segura para as pessoas com diabetes reduzirem a sua ingestão de hidratos de carbono.

Pode ler mais sobre o parecer científico da EFSA no website da EFSA aqui e sobre as declarações da ISA ao clicar aqui.

Referências

  1. Opinião científica da EFSA. Declaração sobre a validade das conclusões de um estudo de carcinogenicidade em ratinho e a sucralose (E 955), realizado pelo Instituto Ramazzini. Adotada a 4 de abril de 2017. Disponível online: http://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/4784
  2. Soffritti M., Padovani M., Tibaldi E., Falcioni L., Manservisi F., Lauriola M., Bua L., Manservigi M. & Belpoggi F. Sucralose administered in feed, beginning prenatally through lifespan, induces hematopoietic neoplasias in male swiss mice. International Journal of Occupational and Environmental Health, 2016 Jan; 22(1): 7-17. doi: 10.1080/10773525.2015.1106075. Epub 2016 Jan 29.
  3. Opinião do Painel dos aditivos, aromatizantes, auxiliares tecnológicos e materiais em contacto com os géneros alimentícios (AFC) sobre o estudo de carcinogenicidade de longo prazo do aspartame. EFSA Journal, 5 de maio de 2006. Disponível online: https://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/356
  1. Declaração da EFSA sobre a avaliação científica de dois estudos relacionados com a segurança dos adoçantes artificiais. EFSA Journal 2011;9(2):2089 [16 pp.] Disponível online: http://www.efsa.europa.eu/de/efsajournal/pub/2089
  2. FDA statement on European aspartame study. 20 de abril de 2007. Disponível online: http://www.fda.gov/Food/IngredientsPackagingLabeling/FoodAdditivesIngredients/ucm208580.htm
  3. Berry C, Brusick D, Cohen SM, Hardisty JF, Grotz L and Williams GM. Sucralose Non-Carcinogenicity: A Review of the Scientific and Regulatory Rationale. Nutrition and Cancer. Sep 2016; 68(8): 1247-1261