Evidência científica atual apoia a utilização de adoçantes de baixas calorias como parte de uma estratégia útil na gestão do “gosto por doces” " e da adiposidade infantil


Posted: 13 setembro 2017

Comentário da ISA sobre o artigo de revisão de Sylvetsky et al

Após ter analisado a publicação de Sylvetsky et al.1 sobre as potenciais implicações para a utilização de adoçantes de baixas calorias em crianças, a Associação Internacional de Adoçantes (ISA) gostaria de destacar a falta de elementos de prova para suportar os efeitos negativos da utilização de adoçantes de baixas calorias durante a gravidez e o aleitamento ou nos primeiros anos de vida pela preferência para o doce, adiposidade e outros resultados metabólicos em crianças.

Reiterando o nosso grande apreço por acolher novos estudos de alta qualidade sobre os benefícios dos adoçantes de baixas calorias, uma necessidade também destacada nas conclusões do trabalho de revisão de Sylvetsky et al, é importante destacar os pressupostos tendenciosos e injustificados sustentados nesta publicação, embora a atual evidência científica não fundamente que os adoçantes de baixas calorias podem encorajar um “gosto por doces”2. Mais importante, estudos clínicos demostraram que a substituição de produtos açucarados por alternativas com adoçantes de baixas calorias pode ajudar a reduzir o ganho de peso e a acumulação de gordura em crianças e adolescentes.3, 4

Na verdade, os estudos demonstraram que não há uma associação consistente entre a ingestão de adoçantes de baixas calorias e um aumento do apetite por açúcar ou por produtos doces em crianças, enquanto que, em muitos casos, a utilização de adoçantes de baixas calorias está associada a uma menor ingestão de substâncias de sabor doce, sugerindo que eles podem ajudar a satisfazer o desejo por sabor doce.2 Naturalmente, quando se trata de gerir o sabor doce em geral, é fundamental que as crianças sejam sujeitas a diferentes gostos e lhes seja introduzida uma variedade de alimentos saudáveis durante a primeira infância para ajudá-las a adotar no geral comportamentos alimentares saudáveis e equilibrados.

Da mesma forma, quando se trata da utilização de adoçantes de baixas calorias por mulheres grávidas e lactantes, não há evidências que fundamentem qualquer impacto negativo na adiposidade ou outros resultados metabólicos na primeira infância, na infância ou mais tarde na vida adulta, apesar das afirmações enganadoras ilustradas numa figura que apresenta os efeitos potenciais do consumo materno de adoçantes não nutritivos durante a gravidez (figura 4 no artigo de Sylvetsky et al). De facto, embora o papel do regime alimentar materno na adiposidade e na saúde metabólica global seja uma área de grande interesse científico, não existe nenhum estudo de intervenção humana que sugira qualquer efeito negativo sobre a utilização de adoçantes de baixas calorias sobre estes resultados.

Adotar uma dieta alimentar variada e equilibrada durante a gravidez e o aleitamento, bem como incentivar comportamentos alimentares saudáveis desde o início da infância são reconhecidos como alguns dos aspetos mais críticos para a redução do risco da obesidade e das doenças relacionadas com os estilos de vida. Importa estar atentos às necessidades nutricionais especiais na infância, a utilização de alimentos e bebidas com adoçantes de baixas calorias no âmbito de um regime alimentar variado e equilibrado pode ser útil na gestão do “gosto por doces” e da adiposidade infantil.

Referências

  1. Sylvetsky A. et al. Development of sweet taste reception: Implications for artificial sweetener use. Endocr Dev 2017
  2. Bellisle F. Intense Sweeteners, Appetite for the Sweet Taste, and Relationship to Weight Management. Curr Obes Rep 2015; 4(1): 106-110
  3. Rogers P. et al. Does low-energy sweetener consumption affect energy intake and body weight? A systematic review, including meta-analyses, of the evidence from human and animal studies. Int J Obes 2016; 40(3): 381-94
  1. de Ruyter JC, et al. A Trial of Sugar-free or Sugar-Sweetened Beverages and Body Weight in Children. N Engl J Med 2012; 367: 1397–1406