Novas evidências no apoio à utilização de adoçantes de baixas calorias no controlo da glicemia e diabetes


Posted: 21 junho 2017

Notícias e dados científicos do 35o Simpósio Internacional sobre Diabetes e Nutrição

Destaques:

  • Os adoçantes de baixas calorias podem ser úteis no controlo da glicemia ao reduzir a ingestão de energia e de açúcar e ao aumentar o cumprimento dos conselhos dietéticos;
  • Estudos observacionais que associam o consumo de adoçantes de baixas calorias à diabetes não podem demonstrar uma causa e efeito. A causalidade inversa pode explicar as associações observadas;
  • Um novo ensaio clínico de 4 semanas confirma os resultados anteriores reportando que não há nenhum efeito dos adoçantes de baixas calorias na incretina ou libertação de insulina.

Todos os anos, investigadores de renome mundial em nutrição e diabetes reúnem-se no Simpósio Internacional sobre Diabetes e Nutrição, organizado pelo Grupo de Estudos da Diabetes e Nutrição (DNSG) da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD), para discutir novos dados e evidências em matéria de dieta alimentar e diabetes. Este ano, no âmbito do 35o Simpósio Internacional sobre Diabetes e Nutrição, que decorreu entre os dias 19 e 22 de junho em Skagen, Dinamarca, houve um grande interesse em trono do papel dos adoçantes de baixas calorias no controlo da glicemia e na gestão da diabetes, com diversos especialistas a apresentarem vários resultados de novos estudos sobre este tema.

Novo estudo humano não apresenta nenhum efeito dos adoçantes de baixas calorias na glicemia

Os resultados de um novo ensaio controlado e aleatório (RCT) com dois grupos de tratamento, conduzido e financiado pelo Instituto Alemão de Nutrição Humana, para examinar o efeito de curto e longo prazo dos adoçantes de baixas calorias sobre a incretina e a libertação de insulina, foram apresentados pela primeira vez no Simpósio organizado pelo DNSG.

No primeiro estudo (ILIAS-1 trial), os investigadores efetuaram 7 estímulos orais únicos consecutivos com glicose ou diferentes adoçantes de baixas calorias (sacarina, aspartame e sucralose) ou em combinação, em 14 indivíduos do sexo masculino com metabolismo normal de glicose. Os resultados confirmaram as conclusões anteriores que os adoçantes de baixas calorias não afetam os níveis pós-prandiais de glicose, insulina, péptido C ou incretina (GIP, GLP-1, GLP-2). Além disso, a adição de adoçantes de baixas calorias à glicose não alterou significativamente o perfil metabólico geral.

Para além do primeiro estudo de curto prazo, foi realizado um estudo de intervenção cruzado de 4 semanas (ILIAS-2 trial) para avaliar a resposta metabólica do consumo de 1L de bebidas de baixas calorias vs. bebidas sem adoçantes em termos de índices glicémicos, e concluíram que o consumo de longa duração de uma bebida adoçada com sacarina não afetou os níveis de glicose e hormonais nem a sensibilidade à insulina, o que é uma conclusão de particular importância, que assegura que o consumo elevado de bebidas dietéticas não afeta a resistência à insulina.

Observações fundamentais da sessão sobre “Adoçantes de baixas calorias na dieta alimentar para a diabetes”

Numa sessão sobre “Adoçantes de baixas calorias na diabetes”, especialistas credenciados neste campo científico proporcionaram uma visão geral da evidência científica em relação ao papel dos adoçantes de baixas calorias na epidemia da diabetes de uma perspectiva de saúde pública, bem como sobre as controvérsias em torno do consumo dos adoçantes e a saúde.

Com uma vasta experiência em investigação dos adoçantes de baixas calorias tanto em seres humanos como em animais, o Dr. Per Bendix Jeppesen, Professor na Universidade de Aarhus, Dinamarca, e organizador do Simpósio do DNSG deste ano, apresentou os resultados de um novo estudo de intervenção de 8 semanas em ratos, na qual se analisou os efeitos de diferentes adoçantes de baixas calorias (aspartame e glicosídeos de esteviol vs. xarope de milho com alto teor de frutose-HFCS) na resistência à insulina e acumulação de gordura hepática, índices de síndrome metabólica, e concluiu que ambos os adoçantes de baixas calorias testados não induziram resistência à insulina nem esteatose hepática, contrariamente ao HFCS que aumentou significativamente a resistência à insulina.

As novas conclusões estão em linha com os estudos humanos realizados e conduzidos anteriormente pela mesma Universidade de Aarhus, um ensaio de intervenção controlada aleatória de 6 meses que comparou a ingestão diária de 1L de bebidas de baixas calorias com a mesma quantidade de bebida adoçada com açúcar, leite com baixo teor de gordura e água (grupo controlo) por 6 meses. De facto, as bebidas dietéticas tiveram efeitos metabólicos muito semelhantes à água e um impacto positivo na acumulação de gordura (por exemplo fígado gordo, tecido adiposo visceral, gordura muscular) e lípidos no sangue (triglicéridos e colesterol total) quando comparadas com o consumo de refrigerantes adoçados com açúcar.

A questão da causalidade inversa em estudos observacionais que mostram uma associação entre a utilização de adoçantes de baixas calorias e a diabetes foi um dos tópicos abordados durante a sessão realizada pelo Dr. Caomhan Logue da Universidade de Ulster, Reino Unido. Tal como o Dr. Logue destacou, a causalidade inversa pode explicar as associações observadas, o que significa que as pessoas com diabetes se viram e consomem adoçantes de baixas calorias, a fim de reduzir o consumo de açúcar, em vez de seguirem o caminho inverso, e destacou que os métodos utilizados para estimar a ingestão dietética de alimentos de baixas calorias em estudos epidemiológicos provavelmente serão inadequados. Por fim, ao apresentar uma visão geral dos últimos dados científicos e regulamentação sobre os adoçantes de baixas calorias e a diabetes, ele destacou que a evidência atual sugere um papel benéfico para os adoçantes de baixas calorias quando utilizado em vez do açúcar para o nível glicémico e peso, o que reforça o seu potencial valor na redução do consumo de açúcar e na reformulação dos produtos alimentares.

Em termos gerais, existe um consenso no seio da comunidade médica e científica que é apoiado por um conjunto de evidências para a utilização de adoçantes de baixas calorias em vez de açúcar na dieta de pessoas com diabetes, uma vez que estes podem proporcionar uma alternativa ao açúcar sem as calorias e sem afetar o controlo da glicose, potencialmente aumentando o cumprimento dos conselhos dietéticos. Naturalmente, as pessoas com diabetes devem sempre ler os rótulos dos alimentos para verificar outros ingredientes dos produtos sem açúcar (por exemplo, outros hidratos de carbono) que ainda podem afetar o controlo glicémico. Em qualquer caso, a ampla disponibilidade de alimentos com baixas calorias no mercado é especialmente importante para as pessoas com diabetes que procuram alimentos e bebidas que ofereçam o sabor doce desejado, mas que também podem ajudá-las a cumprir as recomendações dietéticas relativas à redução do consumo de açúcar.

Clique aqui para ver a entrevista com o Dr. Caomhan Logue na qual aborda o Dia Mundial da Diabetes e o papel que os adoçantes de baixas calorias podem desempenhar no plano alimentar para a diabetes.

Para ler mais sobre a participação da ISA no 35.o Simpósio Internacional sobre Diabetes e Nutrição clique aqui.